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Fraudes e Proteção

Como Identificar Carro Clonado pelo Chassi e pela Placa

Carro clonado tem a identidade de um veículo regular aplicada sobre um veículo roubado. Saiba como identificar e evitar esse golpe antes de comprar.

Por Equipe Simplaca5 min de leitura
Número de chassi em veículo sendo verificado por inspetor

O golpe do carro clonado funciona assim: um veículo é roubado. Os criminosos localizam outro veículo do mesmo modelo, cor e ano rodando regularmente. Copiam o número da placa, do chassi e do RENAVAM desse veículo "doador" e aplicam no carro roubado. Pronto: um veículo furtado passa a circular com a identidade de outro que existe legalmente, com documentação aparentemente válida.

Para o comprador de boa-fé, o risco é perder o dinheiro pago e o veículo ao mesmo tempo. Quando a clonagem é descoberta numa abordagem policial ou numa vistoria do Detran, o carro é apreendido. O comprador fica sem o bem e ainda precisa provar que não tinha conhecimento da irregularidade para evitar complicações legais.

Como Funciona a Clonagem na Prática

A clonagem não é uma operação improvável ou complexa demais. As informações do veículo "doador" são obtidas de formas relativamente acessíveis: consulta ao Detran, observação do veículo em estacionamento ou via dados de anúncios de venda disponíveis publicamente.

Com essas informações, os criminosos reproduzem a placa com caracteres idênticos e fabricam documentos falsos que simulam o CRLV e o CRV do veículo doador. O chassi gravado na carroceria pode ser coberto com um adesivo ou chapa metálica gravada com o número do doador.

O veículo clonado é então colocado à venda, geralmente a um preço um pouco abaixo do mercado para atrair compradores rapidamente. O negócio é concluído com urgência, com o vendedor criando pressão para que o comprador decida rápido.

Os Sinais Físicos da Clonagem

Número de chassi

O chassi (VIN) é gravado na estrutura metálica do veículo em pelo menos dois locais: na base do para-brisas (visível de fora do veículo) e numa plaqueta fixada no painel. Em muitos modelos, o chassi também está gravado no assoalho do porta-malas e nas colunas da carroceria.

Examine o chassi em todos os locais onde ele aparece. Verifique:

  • Consistência dos caracteres: a gravação original da montadora é uniforme. Caracteres com profundidade irregular, bordas imprecisas ou espaçamento inconsistente indicam adulteração.
  • Ausência de oxidação ou marcas de lixa ao redor da gravação, que indicam que a superfície foi preparada para receber nova marcação.
  • Presença de adesivos, solda ou massa plástica cobrindo alguma área próxima ao chassi.

Plaqueta do painel

A plaqueta de identificação no painel (geralmente visível pelo lado de fora do para-brisas) é fixada com rebites especiais pela montadora. Se ela apresenta bordas levantadas, rebites com aparência diferente dos padrões da montadora ou marcas de remoção e reaplicação, é motivo de suspeita.

Número do motor

O número do motor fica gravado no próprio bloco do motor. Verifique se o número corresponde ao que consta no documento. Se o motor foi trocado (por acidente ou desgaste), deve haver registro dessa troca na documentação do Detran.

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A Verificação Documental

A inspeção física ajuda, mas a verificação documental é igualmente importante.

Cruzamento de dados: pegue o número do chassi gravado no veículo e compare com o número impresso no CRLV e no CRV. Os três precisam ser idênticos. Se houver qualquer diferença, mesmo de um único caractere, não feche o negócio.

Consulta pelo chassi no Detran: o Detran de cada estado permite consulta de veículo pelo número de chassi. Faça essa consulta e compare: o modelo, cor, ano e demais características do veículo que você está avaliando precisam corresponder exatamente ao que consta no registro.

Consulta de roubo e furto: bases de dados de consulta veicular incluem histórico de boletins de ocorrência de roubo e furto registrados para aquela placa. Se o veículo "doador" já teve ocorrência de clone registrada pela polícia, esse dado pode aparecer na consulta.

O Método Mais Eficaz: Dois Veículos, Uma Identidade

A forma mais definitiva de confirmar a clonagem é verificar se existe outro veículo com a mesma placa circulando. A consulta de placa retorna os dados do veículo registrado com aquela placa. Se o modelo, cor, ano e características descritos na consulta não correspondem ao veículo físico que você está avaliando, há um clone.

Por exemplo: a consulta retorna um Hyundai HB20 prata 2019 para a placa XYZ1234. O veículo à sua frente é um Hyundai HB20 prata 2019 aparentemente igual. Mas o chassi do veículo fisicamente avaliado não bate com o chassi registrado no Detran para aquela placa. Esse é o sinal da clonagem.

Verificar histórico do veículo

Situações de Risco Elevado

Algumas circunstâncias de compra elevam o risco de clonagem:

Preço abaixo do mercado com urgência de venda: golpistas criam urgência artificial. "Preciso viajar amanhã" ou "já tem outro interessado" são pressões para impedir que o comprador faça uma inspeção cuidadosa.

Local de venda não convencional: proposta de fechar negócio em estacionamento de shopping, posto de combustível ou rua movimentada, em vez de na residência do vendedor.

Vendedor que não tem o CRLV físico: documentos digitais podem ser apresentados em tela, mas exija ver o documento físico e confira autenticidade.

Resistência à vistoria no Detran: vendedores de veículos clonados geralmente se opõem ou criam obstáculos para que o comprador leve o carro a uma vistoria prévia no Detran.

O que Fazer se Descobrir Clonagem Depois da Compra

Se o veículo for apreendido por clonagem após a compra, o comprador de boa-fé precisa:

1. Registrar imediatamente boletim de ocorrência informando que foi vítima de estelionato

2. Reunir toda documentação da compra: recibo, dados do vendedor, anúncio original

3. Contratar advogado para acompanhar o processo de recuperação do veículo ou de indenização

A prova de boa-fé não elimina a perda imediata do veículo, que vai para o proprietário legítimo (o doador do clone). Mas é condição para buscar reparação judicial contra o vendedor.

A verificação antes da compra, com consulta de placa, cruzamento de chassi e inspeção física cuidadosa, é o único caminho confiável para não cair nesse golpe.

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