Blog Simplaca

Dicas, guias e informações essenciais sobre veículos, consulta de placas e legislação automotiva.

Fraudes e Proteção

Carro com Número de Chassi Raspado: O que Fazer

Encontrar um número de chassi raspado ou adulterado em um veículo é uma situação com implicações criminais sérias. Saiba o que fazer, quais os riscos reais e como se proteger.

Por Equipe Simplaca5 min de leitura
Detalhe de número de chassi em veículo sendo inspecionado

Carro com Número de Chassi Raspado: O que Fazer

Você está comprando um carro, verifica o chassi e percebe que os números foram raspados, adulterados ou parecem ter sido regravados. Ou está dirigindo um veículo comprado algum tempo atrás e a polícia o aborda, identificando irregularidade no chassi. Em ambos os casos, a situação envolve crime tipificado no Código Penal e consequências que podem afetar quem está com o veículo, independentemente de ter participado ou não da adulteração.

Por que o número do chassi é tão importante

O número de chassi, tecnicamente chamado de VIN (Vehicle Identification Number), é o identificador único de cada veículo produzido no mundo. No Brasil, os veículos de passeio têm chassi com 17 caracteres gravados em local específico da estrutura do veículo, geralmente na coluna A (lateral esquerda do painel frontal) e também estampado na própria estrutura do chassi inferior.

Esse número é vinculado ao RENAVAM, ao CRV (Certificado de Registro de Veículo) e ao CRLV. Qualquer veículo que circule legalmente no Brasil tem o número do chassi registrado em documentos oficiais e é possível rastreá-lo até a montadora de origem.

A adulteração do chassi é utilizada principalmente para:

  • Desvincular veículos roubados de seu registro original, dificultando a recuperação
  • Substituir o chassi de um veículo sinistrado por um chassi de veículo legalmente registrado, criando um "documento frio"
  • Permitir que um veículo roubado circule com documentação de outro veículo com características semelhantes (clonagem)

O que configura crime

O art. 311 do Código Penal prevê pena de reclusão de 3 a 6 anos para quem adultera, remarca ou oculta o número de identificação de veículo automotor, ou nele insere ou tem inscrito número diferente do original. A pena se aplica tanto a quem realiza a adulteração quanto a quem usa ou vende o veículo sabendo da condição.

O ponto crítico para quem comprou o veículo sem saber da adulteração é o elemento subjetivo do crime: o "saber". Na prática, provar que não sabia exige que o comprador demonstre boa-fé na aquisição, o que inclui:

  • Pagamento por meios rastreáveis (transferência bancária, cheque nominado)
  • Registro documental da compra (contrato ou recibo com dados do vendedor)
  • Ausência de indícios que, para um comprador médio, indicariam problema

Comprar o veículo por preço muito abaixo do mercado sem justificativa, sem documentação adequada ou de origem desconhecida dificulta a alegação de boa-fé.

O que fazer se identificar chassi adulterado antes de comprar

Não compre. A decisão mais simples e correta é recusar o negócio e registrar um boletim de ocorrência informando as características do veículo, a placa, o local da oferta e os dados do vendedor que você tiver. O registro não é obrigatório, mas colabora com as investigações e demonstra que você, ao identificar o problema, agiu conforme a lei.

Verificar histórico do veículo antes de qualquer visita presencial já pode revelar inconsistências entre o chassi informado na documentação e o que está registrado no RENAVAM. Se o número do chassi do anúncio não bate com o do sistema, o sinal de alerta já existe antes de você colocar os pés no local.

O que fazer se você já comprou o veículo e descobriu o problema depois

Essa é a situação mais delicada. O veículo com chassi adulterado pode ser apreendido pela polícia a qualquer momento, durante uma abordagem de rotina, numa blitz ou numa vistoria. Quando isso acontece, o veículo vai para o pátio e o processo segue o rito criminal.

Se você descobriu o problema antes da apreensão, os passos são:

Não tente consertar nem ocultar: qualquer tentativa de regularizar o chassi de forma não oficial ou de revender o veículo com ciência do problema agrava a situação penal.

Procure um advogado criminal antes de qualquer outra ação: a orientação jurídica antes de apresentar o veículo à polícia ou ao Detran é fundamental para garantir que sua boa-fé seja documentada adequadamente desde o início.

Registre boletim de ocorrência como vítima de estelionato: se a compra foi de boa-fé e você foi enganado, o registro de BO como vítima documenta sua posição no evento antes que a polícia chegue até você por outros meios.

Reúna toda a documentação da compra: contrato, recibo, comprovante de pagamento, dados do vendedor, anúncio original (print de tela com data e URL), troca de mensagens. Tudo que demonstra como se deu a negociação.

Não use o veículo enquanto a situação não for resolvida: usar o veículo com chassi adulterado continua configurando manutenção de veículo em situação irregular.

O que acontece com o veículo apreendido

Veículos com chassi adulterado apreendidos pela polícia são encaminhados para perícia criminal. O perito confirma a adulteração, determina se é possível identificar o número original e emite laudo que fundamenta o processo.

Se o número original puder ser recuperado e o veículo corresponder a um veículo roubado, ele é devolvido ao proprietário original ou à seguradora que indenizou o furto. O comprador de boa-fé perde o bem e só tem direito de regresso contra o vendedor que o enganou.

Se o número original não for recuperável ou o veículo não corresponder a nenhum registro rastreável, o destino do bem segue determinação judicial, que pode incluir leilão com o produto destinado ao fundo estadual de segurança pública.

Como se proteger antes de comprar qualquer veículo

Três verificações simples reduzem significativamente o risco de adquirir um veículo com chassi adulterado:

Verifique o chassi no momento da visita: compare o número do chassi físico com o que consta no CRLV e no DUT. Qualquer divergência é motivo de recusa imediata. O chassi deve estar em local de fácil visualização (coluna A) e na estrutura inferior do veículo.

Observe sinais de adulteração: resíduos de solda ao redor dos caracteres, diferença de profundidade entre caracteres do mesmo campo, marcas de abrasivo ao redor do número, ou caracteres com espaçamento irregular são sinais físicos de adulteração.

Consulte o histórico: checar restrições antes de comprar pela placa mostra se há restrições de roubo ou furto ativas no veículo, o que é indicativo de que o veículo pode ter sido utilizado em clonagem ou adulteração.

Um preço muito abaixo do mercado raramente é coincidência. Quando um veículo é vendido com desconto expressivo sem justificativa documentável (sinistro declarado, revisões em atraso, quilometragem elevada), a pergunta que deve ser feita é: por que o vendedor aceita tanto desconto?

A resposta, em muitos casos, está no chassi.

Tags

#chassi raspado#número chassi adulterado#carro clonado chassi#o que fazer chassi raspado#crime veicular